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Pois bem, e não é que me atrevi a contrariar minhas convicções e resolvi assistir a um filme que antes mesmo do primeiro anúncio ser vinculado nas mídias eu já sabia ser uma verdadeira catástrofe? Admito que me neguei até agora a conferir esta produção por razões principalmente ideológicas (que não vem ao caso, pelo menos não aqui), mas motivado a escrever algo para esta coluna, não pode resistir a tentação de sentar o martelo nessa desgraça:



Informações Técnicas:

Título: Lula - O Filho do Brasil
Diretor: Fábio Barreto, Marcelo Santiago
Elenco: Rui Ricardo Diaz, Glória Pires, Cleo Pires, Marat Descartes, Milhem Cortaz, Lucélia Santos, Antônio Pitanga, Juliana Baroni
Produção: Paula Barreto, Rômulo Marinho Jr.
Roteiro: Denise Paraná, Daniel Tendler, Fernando Bonassi
Fotografia: Gustavo Habda
Trilha Sonora: Antonio Pinto
Duração: 130 min.
Ano: 2009
País: Brasil
Gênero: Drama
Distribuidora: Europa Filmes
Estúdio: Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas / Costa Films / Globo Filmes
Classificação: 12 anos


O relato dessa minha desagradável experiência, que aqui apresento para que vocês não precisem passar por tal infortúnio, como de costume está recheado de spoilers, para ninguém precisar assistir à essa porcaria!

Antes de mais nada, quero deixar claro que apesar de ter posições políticas bem definidas, e, de ter muito a dizer sobre o PT e sobre o próprio Lula, vou me abster de falar sobre isso diretamente. Essa postagem é sobre o filme, e não sobre o homem, e muito menos sobre o partido. Não é minha intenção levar as reflexões para este lado, e se em algum momento minhas palavras parecerem tender para este lado, tenha em mente, por favor, que esta é uma análise feita apenas sobre o filme que assisti, e nada além disso. Ok? 

Partindo do princípio, alguns dados que circundaram todas as críticas feitas ao filme no ano de seu lançamento (2009) já bastam para causar uma certa antipatia pelo mesmo. A começar pelo preço dessa brincadeira – 12 milhões de Reais – que faz dele a produção brasileira mais cara de todos os tempos (aproveito para desmentir os argumentos de alguns violentos blogueiros anti-petistas que à época acusaram a produção de ter sido financiada com dinheiro público. Isso é mentira). Fora isso, o fato do filme vir com a proposta de retratar a vida de um marcante ícone da política nacional, mas que segundo o próprio diretor (Fábio Barreto) “não tinha a intenção de ser fiel à realidade” (o que de fato ocorre) já causa desconforto até mesmo nos admiradores do sr. Luiz Inácio, que esperavam ver um biografia do emblemático torneiro mecânico que se elegeu Presidente da República e quando chegaram em frente à tela se depararam com um enorme melodrama exponencialmente exagerado, cheio de cenas que jamais aconteceram e outras tantas que até ocorreram mesmo, mas foram tão cobertas de maquiagem para criar uma imagem “heróica” de Lula que acabaram por fazer exatamente o oposto, gerando críticas negativas em todas as esferas. Isso além do fato da obra ter sido lançada em ano de eleições presidenciais, dado por si só substancialmente tendencioso.

Pra ver um spoiler level infinito, faça o seguinte, você pode assistir a um “compacto” do filme inteiro aqui. Sim, o próprio trailer de lançamento, com apenas 2 minutos de duração, resume o filme todinho. A história começa com Dona Lindu (Glóra Pires) dando a luz ao menino Luiz Inácio da Silva no Sertão Pernambucano, em uma cena tão clichê que chega dar vergonha alheia, e em seguida mostra a partida dela em direção a Santos, onde o seu marido vivia com outra mulher, o outro filho do casal e muita cachaça na mente. Depois disso, o filme segue tentando retratar a trajetória da família até sua chegada a São Bernardo do Campo, onde Lula consegue fazer um curso de torneiro mecânico no SENAI e começa a trabalhar com isso, perde o dedinho da mão esquerda, conhece sua primeira mulher, Lurdes (Cléo Pires), que morre dando a luz, entra para sindicado dos metalúrgicos do ABC Paulista, conhece sua segunda (e atual) esposa, Dona Marisa (Juliana Baroni), arruma confusão com o regime militar quando lidera uma greve de metalúrgicos e acaba preso pelo DOPS, onde fica em cana até que o filme termina com ele acompanhando o enterro da mãe, com autorização dos milicos, em 1980 - mesmo ano da fundação do PT. 

E isso é o filme todo. Sem exageros da minha parte. Se assistir ao trailer, você já está mais do que preparado para o caso de ter algum professor de história ou filosofia que lhe obrigue produzir uma resenha sobre esse suco de esterco em aula. Vai por mim, não perca seu tempo assistindo ao filme todo.

Todos os principais fatos estão no trailer promocional, o resto da produção são uma bela enchessão de linguiça composta totalmente por cenas que ficam repetindo situações consideradas apropriadas ao propósito geral do filme, de novo, e de novo, e de novo, usando e abusando de flashbacks, trilha sonora carregada de emoção (onde o volume da música aumenta vertiginosamente em cenas que retratem alguma passagem dramática) e frases de impacto que na vida real muito provavelmente nunca foram ditas. Tudo para ter certeza que o público vai entender bem o sofrimento do pobre homem e entrar no clima pra fazer o principal: chorar. Isso porque o tempo todo, o filme inteiro sem interrupção, a intenção dos produtores é fazer você se emocionar e chorar mais que numa novela mexicana. O que simplesmente não funciona com pessoas que conhecem os estratagemas furados de forçar o sentimentalismo, usados em abundância pela programação de domingo da TV aberta.

Original e teoricamente, o filme seria inspirado no livro “A História de Lula – O Filho do Brasil” de Denise Paraná (também lançado em 2009), que ao contrário da sua versão para o cinema é realmente uma obra interessante de se conferir. Apesar da clara simpatia e posicionamento parcial da autora pelo personagem principal, a publicação traz pontos bem interessantes a respeito da carreira do ex-presidente que nunca haviam sido trazidos a público, não ficando apenas naquele melodrama para tentar fazer dele um messias sem dedo. Aliás, essa é a crítica mais severa que eu posso fazer à produção, que contraditória e coincidentemente, é a mesma crítica que municiou 99,99% dos argumentos de quem se desagradou do filme: é um filme sobre a vida de um político, mas que não retrata política!

Pude observar o mesmo erro quando assisti ao fraquíssimo Che (2008), de Steven Soderbergh. Onde o diretor tentou fazer a mesma jogada de idolatria à imagem de Ernesto Rafael Guevara de la Serna e, sem mais nem menos, deliberadamente ignorou todo o período da vida do revolucionário argentino em que ele participou da política, cooperando com a ditadura sangrenta imposta por de Fidel Castro. Fatos essenciais para entender a mente e o coração do ídolo pop da geração coca-cola. Tanto num filme quanto no outro, a história acaba justamente na parte que mais importa da história.

Convenhamos, embora o assunto “política” não seja o mais popular de todos (infelizmente), se você propõe produzir um filme sobre a vida de um político, o mínimo que todos esperam é que se fale de política. Nem que seja um pouco, nem que sejam só fatos superficiais tratados pela imprensa da época... mas isso simplesmente não existe no filme. Nadica de nada!

Nem mesmo é possível ver a impressionante e famosa oratória de massas que o fez ser tão querido pelas plateias, apesar de não ser nada coerente (todos os discursos mostrados no filme dão curtos e fracos. Sempre seguidos por ovações de "Lula! Lula! Lula!". A única exceção é a assembleia que aconteceu no estádio da Vila Euclides, em que ele discursou para 100 mil pessoas, e, para quem já teve oportunidade de ver a cena original, pode perceber uma assombrosa semelhança entre ambas). O tempo todo os produtores querem deixar claro que mesmo sendo sindicalista, Lula não era comunista, nem socialista e nem sequer esquerdista! Todo o lado político, desde a formação do PT e a lisérgica campanha das “Diretas Já”, ficou de fora. De sua prisão pelo DOPS até o discurso de sua posse presidencial há um gap temporal muito grande e o que deveria ser o auge do filme, o ponto mais alto da vida de Lula – a sua primeira eleição à presidência da república – acaba indo pro ralo em uma deprimente cena pseudo-motivacional. Nem mesmo uma das principais marcas da personalidade do pernambucano, o pragmatismo, que fez com que o presidente eleito mantivesse o programa econômico de FHC, que anteriormente criticou com tanta veemência, para evitar uma crise e o peitasso que deu ao se colocar contra o próprio partido que ajudou a fundar e logo em seguida doma-lo por completo, tornando-se maior que a sigla. Nada disso é mostrado, nenhuma crise, nenhum mensalão, nenhuma união com adversários históricos em troca de “governabilidade”... NADA!

Independentemente da sua ou da minha opinião pessoal sobre a figura do ex-presidente Lula, um homem que nasce como ele nasceu e chega onde chegou, sendo chamado de “o cara” por um dos homens mais poderosos e influentes do mundo, merece sim que se escrevam biografias e façam versões destas para o cinema. Considero isso sinceramente muito importante. Mas, em se tratando de “Lula – O Filho do Brasil” a família Barreto - Luiz Carlos, produtor, e Fábio, diretor – que detinha nas mãos a oportunidade de retratar (com recursos de sobra) uma das sagas mais intrigantes da política brasileira de todos os tempos desperdiçou essa raríssima chance miseravelmente. 

Trata-se de um filme fraco, tendencioso, clichê, sem graça e cheio de uma fantasia asquerosa e mal intencionada que tenta ser uma espécie de “Dois Filhos de Francisco” versão vermelha. Uma verdadeira perda de tempo que em nada valeu a quantidade de dinheiro e publicidade que nele foi investido.

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0 Cine Bomba - Dicas do que NÃO ASSISTIR quando for à locadora!


Dicas periódicas do que NÃO ASSISTIR quando for à locadora!

Como todo bom cinéfilo, eu tenho um senso crítico muito apurado. E eventualmente a intuição para escolher o que assistir falha e me faz perder preciosos minutos assistindo verdadeiras bombas de estrume em forma de filmes.
Para que isso não aconteça com você, postarei aqui dicas do que não assistir quando for escolher a sua próxima produção.
Obviamente, como se trata de um texto que procura fazer com que as pessoas não percam tempo assistindo obras ruins, o texto é composto basicamente de spoilers. Então, esteja avisado, caro leitor.
E no tópico de hoje, já estreamos com uma produção alemã que é um verdadeiro pudim de chorume:



Informações Técnicas

Título no Brasil:  Edukators - Os Edukadores
Título Original:  Die Fetten Jahre sind vorbei / The Edukators
País de Origem:  Alemanha
Gênero:  Ação / Drama
Tempo de Duração: 127 minutos
Ano de Lançamento:  2004
Estúdio/Distrib.:  Video Filmes
Direção:  Hans Weingartner

Jule, Peter e Jan são jovens rebeldes na faixa dos vinte anos com pouca ou nenhuma estrutura familiar, usuários de drogas, adeptos de um estilo de vida desregrado e com o auto-destrutivo hábito de buscar externamente os motivos de sua insatisfação pessoal. Culpando desde as pessoas mais abastadas financeiramente até o sistema de governo do seu país.
Jan é um jovem visivelmente agressivo e obcecado que divide um apartamento com seu aparentemente único amigo Peter, um garoto que gosta de ver a vida de maneira um pouco mais leve, seja fazendo sexo com sua namorada Jule ou roubando um relógio de luxo de algum cidadão descuidado ele sempre prefere sorrir, o que é a atitude oposta a do seu colega.
Movidos por uma revolta baseada na inveja e na ansiedade de canalizar sua frustração, Peter e Jan passam a se auto-intitularem “The Edukators” (algo como “Os Edukadores”) e se divertem invadindo e vandalizando de forma leve (apenas re-arranjando a posição dos móveis e objetos de decoração) as residências de pessoas com um padrão financeiro superior ao deles, usando como pretexto uma pseudo ação revolucionária.
Jule é a namorada de Peter que diz não gostar muito do seu amigo Jan.
Tempos atrás ela provocou um acidente de carro que danificou o automóvel de um rico empresário chamado Hardenberg (Burghart Klaubner) e como conseqüência acabou por adquirir um dívida enorme que lhe consome quase todo o dinheiro que ganha no seu emprego como garçonete em um restaurante caro, onde arranha os carros dos clientes que a tratam com arrogância.
Devido aos problemas financeiros Jule precisa sair de seu apartamento alugado e por isso precisa pintá-lo antes de entrega-lo. Seu namorado Peter, que a ajudaria na tarefa, precisa viajar para Barcelona e pede que seu amigo Jan ajude a moça em seu lugar.
Rapidamente Jan e Jule se tornam íntimos, e após mancharem as paredes com frases de protesto deixam o apartamento sem pinta-lo. Mais tarde vão jantar juntos na casa de Jan onde comem, usam drogas e conversam sobre como o mundo é injusto com eles. Jan fala com sua nova amiga sobre “Os Edukadores” e empolgada com a notícia, Jule insiste que ela e Jan invadam a casa de Hardenberg, o empresário que a processou por danificar seu carro. Após uma certa resistência, Jan concorda.
Eles então invadem casa do empresário usando máscaras e fazem a tradicional bagunça de móveis. Só que Jule se deixa levar pela emoção e decide ir além, convencendo a Jan a jogar o sofá da sala na piscina, e os dois fazem isso e acabam caindo na água juntos. Jan então se aproxima da namorada do seu melhor amigo e a beija. Na cena seguinte, Jule está usando roupão e quebrando algumas garrafas na cozinha da casa invadida. Quando então se ouve um alarme disparar e os latidos de cachorros.
Os dois fogem e parecem se divertir muito com o que aconteceu, e acabam dormindo juntos.
Quando Peter volta de sua viagem, nem percebe o clima que há entre seu amigo e a sua namorada, baseado na confiança que tem nos dois.
É quando Jule revela a Jan que esqueceu o seu telefone celular na casa que vandalizaram, e sem que Peter saiba, os dois combinam de voltar lá e recuperarem o aparelho. E o fazem. Mas quando estão novamente na propriedade de Hardenberg, ele chega da uma longa viagem em que dirigiu por 700Km justamente no momento em que eles estão lá.
Quando se depara com Jule em sua sala, ele tenta segura-la e acaba sendo golpeado pelas costas por Jan e desamaia. Sem saberem o que fazer, eles pedem ajuda a Peter, que embora surpreso, ajuda os dois a amarrarem, amordaçarem e seqüestrarem o empresário, levando-o para uma cabana isolada nas montanhas onde passam alguns dias gastando o dinheiro de Hardenberg para comprar mantimentos, usando drogas e tendo conversas com teor pseudo-político.
Enquanto Jan e Jule alimentam um romance secreto aos olhos de Peter fazendo sexo escondidos sempre que podem, Hardenberg como empresário e ex-militante de esquerda conhecedor dos mecanismos mentais que guiam seus carcereiros, usa sua experiência e inteligência para ganhar confiança e manipular os jovens, que portam uma arma (uma arma que Peter diz ser falsa, mas que Hardenberg acha que é real) e deixam dúvidas sobre o que irão fazer com ele.
Com o passar dos dias, Hardenberg se torna cada vez mais próximo dos jovens e consegue causar um atrito entre Jan e Peter, revelando de forma sutil a Peter o caso que sua namorada está tendo com seu melhor amigo.
Depois de ser agredido, seqüestrado e de passar vários dias em um lugar isolado sob a mira de uma arma, os jovens finalmente libertam o empresário, que ao entrar em casa apenas se senta no sofá e fica pensativo. Enquanto uma cena mostra Peter, Jule e Jan deitados numa mesma cama.
Quando Hardenberg aciona a polícia contra os criminosos, estes já haviam se precavido e já estão foragidos. Aparecem então roubando um barco no cais e indo em direção a uma ilha onde se encontram as antenas de transmissão das emissoras de TV, cuja sabotagem e destruição é o seu novo alvo.
Tecnicamente, considero o filme muito ruim. Em primeiro lugar pelo roteiro muito cheio de clichês e pobre de criatividade. Em segundo lugar por ter uma trilha sonora péssima (não pela qualidade da músicas em si, mas pela maneira como foram usadas na construção das cenas) e em terceiro e último lugar, por fazer explicitamente apologia ao terrorismo, ao uso de drogas e há criminalidade.
No que diz respeito a uma avaliação geral da obra, o que mais chamou minha atenção enquanto assistia ao filme The Edukators, foi a simplicidade com que foram retratados os crimes cometidos pelos três jovens. O diretor Hans Weingartner claramente tenta passar uma mensagem aos jovens que dizem que eles tem razão em culpar o mundo por suas mágoas e suas frustrações, e que tem o direito de descontar toda essa revolta em outras pessoas que conseguem levar a vida de uma forma mais plena e equilibrada do que eles. Considero essa uma mensagem muito perigosa de se transmitir hoje em dia, enquanto vivemos em um mundo que cada vez mais se distancia da moral de dos bons costumes. Onde os valores estão invertidos e se confunde libertinagem com liberdade.
Durante todo o desenrolar da história, várias seqüências tentam mostrar uma certa superioridade intelectual dos jovens criminosos sobre o pobre homem seqüestrado, o que com um olhar mais atento, se revela um gigantesco equívoco. Já que o empresário conseguiu sair vivo e bem de situação em que provavelmente acabaria morto.
O final da história não demonstra nada além de impunidade e alienação. A única parte do filme que, na minha opinião, se aproxima da realidade e tem algum valor. A obra como um todo pode ser vista como um retrato do que a falta de estrutura familiar, a falta de ensino qualificado e total alienação política e histórica podem fazer com mentes jovens e cheias de energia potencial mal trabalhada. E o quanto o nosso sistema político é falho em permitir que ainda existam tais perigos rondando nossas casas, sobretudo as casas das pessoas que cometeram o incrível erro de prosperarem em um mundo que aprendeu a embelezar o sofrimento. É movido por esse espírito de pseudo-liberdade que vemos vídeos de decapitações de soldados e jornalistas no oriente médio, que vemos estrangeiros sendo espancados e mutilados em países europeus, que vemos nossos jovens cada vez mais promíscuos, envolvidos em crimes e usando drogas, foi com essa insanidade que erroneamente os menos informados chamam de liberdade que Ernesto Guevara executou pessoalmente mais de 400 pessoas e seu amigo Fidel se mantêm no poder depois de ser responsável diretamente por mais de 115.000 mortes e outros tantos desaparecidos desde 1959.
A idéia de “liberdade” que Peter e Jan dizem defender no filme The Edukators não passa de uma visão distorcida da realidade confeccionada por uma mente perturbada e desprovida de bom senso.

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2 Cine Bomba - Dicas do que NÃO ASSISTIR quando for à locadora!


Dicas periódicas do que NÃO ASSISTIR quando for à locadora! 

      Recentemente perdi preciosos 40 minutos da minha vida assistindo uma produção realmente insuportável. Os 20 primeiros minutos foram surpreendentemente cansativos e os outros 20 que se seguiram foram o que eu chamo eventualmente de “dar uma chance para o filme”, que é quando ele começa mal mas você se mantém ali, na frente da tela, esperançoso de que alguma reviravolta o faça ficar bom (de vez em nunca isso acontece mesmo).

      Bem, nem com mil chances essa porcaria de filme tosco que não vale a mídia em que vem gravado poderia ter virado em algo bom.

      E pra quem pensa que só falo mal de filme ruim estrangeiro, como se fosse de caso pensado, o título de hoje do Cine Bomba (infelizmente) é uma produção nacional.

      Estou falando da salada de esterco velho:



Ficha Técnica
Título Original: Muita Calma Nessa Hora
País de Origem: Brasil
Gênero: Comédia (pastelão, tipo “besteirol americano”)
Duração:1h 32 min
Ano de lançamento: 2010
Direção: Felipe Joffily


Resumo (com muitos spoilers, pra ninguém ver):

Peguei esta comédia na locadora já com um pé atrás, devido ao nome remeter à um tipo de senso de humor pelo qual não nutro sequer uma gota de respeito, que é aquele que podemos observar em programas de TV como “Zorra Total”, “Turma do Didi”, “A Praça é Nossa” (esse último apenas nos últimos anos, porque até o início dos anos 90 ainda era possível rir com seus quadros) e alguns espetáculos de stand up que não ouso sequer fazer referência para não dar mídia pra gente oportunista. Pode parecer excessivamente preconceituoso da minha parte, e de fato o é, mas esse tipo de linguajar - ”muita calma nessa hora” - com intenção de ser engraçado, remete minha mente à um tipo de pessoa que considero bastante monótona, pra não dizer coisa pior.

Enfim, o que me motivou a conferir essa produção foi a presença de humoristas talentosíssimos, como o multi-tarefa Marcelo Adnet, o convincente Lúcio Mauro Filho (o “Tuco”, de “A Grande Familia”), o ácido Marcelo Tas (o “Professor Tibúrcio” do CQC), o fantástico quinteto formado por Marco Antônio Alves, Fausto Fanti, Adriano Pereira, Bruno Sutter e Felipe Torres (popular e carinhosamente conhecidos como “os caras do Hermes e Renato”) e até um dos mestres sagrados da cultura trash oitentista no Brasil, ninguém menos do que Serginho Malandro, na composição no elenco.

Agora me diga, caro leitor, que com um time desses, esse filme tinha alguma chance de não ser engraçado?

Pois é, eu pensei a mesma coisa. Mas infelizmente o potencial que poderia ser explorado foi absolutamente negligenciado. Até, vale dizer pra você que ficou animado com o elenco também e pode não acreditar que algo com essa trupe pode ser ruim, a maioria desses artistas que eu esperava ver atuando ao seu estilo, faz meras pontinhas sem nenhuma importância, e contidos como nunca antes na história desse país.

Essa porcaria de filme nada mais é do que outra obra nacional composta totalmente de clichês, e eu disse TOTALMENTE mesmo, já que a criatividade é inferior a zero em cada segundo do filme.

É clara a intenção dos realizadores de fazerem uma possível fusão de filmes como “American Pie” e “Bridget Jones's Diary”, onde podemos ver a forma mais plena do senso de humor norte-americano.

Não tenho absolutamente nada contra o senso de humor norte-americano, muito pelo contrário, já me diverti muito com dezenas de produções desse gênero. Minha crítica não se dirige à eles, mas sim à tentativa mais do que frustrada de cineastas tupiniquins de tentarem imita-los gastando uma quantidade interessante de dinheiro.

Logo nos primeiros minutos, vê-se algumas imagens muito mal escolhidas da belíssima cidade de Búzios, onde já pude identificar o desastre que viria pela frente. Então vemos a artificial Ellen Roche protagonizando uma desnecessária (já que não combina em nada com o resto do filme) ceninha bem tosca que remete às pornochanchadas do passado do nosso cinema. Uma clara referência à qual a real utilidade dessas moças siliconadas de cabeça vazia para o cinema.

A trama é batida demais até para uma babaca tentativa de comédia americana: três garotas com problemas em lidar com a própria volúpia saem de férias juntas, dispostas serem o mais promíscuas que conseguirem.

As personagens principais são Tita (Andréia Horta), uma moça jovem que estava prestes a se casar e testemunhou uma traição do noivo (na ceninha sem-vergonha com a Ellen Roche) e resolveu se vingar do mundo transando com o maior número de homens que conseguir (a casa de praia pra onde ela e as amigas vão em “férias”, tinha sida alugada originalmente em função do seu casamento), Mari (Gianne Albertoni), uma loira gostosona que dá impressão de ter um cargo importante em uma empresa grande, trata as pessoas com arrogância, sobretudo homens, no melhor estilo “eu sou fodona”, e desde os primeiros minutos já mostra que será o núcleo principal das piadinhas sem manjadas e sem graça (exemplo: sentada com as amigas na mesa do bar: “garçom, traga mais três tequilas e três cervejas, não vai perguntar o que elas querem?” assim mesmo, com vírgula, porque disse tudo na mesma sentença). No começo do filme ela se sai bem de uma situação de assédio sexual com um chefe tarado, uma cena feita especialmente pra uma tentativa de que se crie um ar de independência e força ao redor da personagem. Tentativa essa que falha miseravelmente no desenrolar dos próximo longos 20 minutos seguintes, Aninha (Milli, ops, quer dizer, Fernanda Souza), uma moça engraçadinha, mas totalmente sem sal, que passa o tempo todo querendo dar pra alguém mas não consegue por ser muito monga. Aliás, muito monga mesmo, bem daquele tipinho de menina burrinha que só faz bobagem e a Estrella (Débora Lamm), que é uma moça errante que encontram no caminho para o litoral, que tem ar daquelas hipongas sujinhas vendedoras de artesanato barato e parece estar o tempo todo drogada. Ou pelo menos tentando parecer que está, já que a interpretação dela é nível “Malhação” pra pior.

Depois do protocolo manjado de apresentação de cada uma, o filme começa e fica do mesmo jeito pra sempre: formado por quadros sortidos e absolutamente sem graça com diversos comediantes conhecidos, ao estilo “Zorra Total” mesmo. Os quadros são intercalados por cenas ridículas e forçadas das quatro desocupadas sentadas em uma mureta falando fezes enquanto fumam maconha, agindo como uma pessoa que nunca nem ao menos viu uma pessoa sob efeito de maconha, e muito menos sabe imitar o estado.

E isso é o filme todo.

Os personagens são ocos e descartáveis. Nenhum deles, nem mesmo as personagens principais, são explorados ou aprofundados de forma alguma. E os quadros claramente não foram feitos pelos próprios artistas, ou pelo menos não tiveram total liberdade para criarem. Dada a total imbecilidade, burrice e superficialidade das piadas.

Durante os 40 minutos que consegui estar na frente da TV assistido a essa tranqueira, a sensações oscilaram entre irritação, tédio e muita vergonha alheia.

Com certeza, até o dia de hoje, esse é o pior filme que assisti esse ano. Sem a menor sombra de dúvida.

Espero que as pessoas talentosas de verdade que participaram desse lixo que me fez perder 40 minutos de um precioso tempo que nunca vou recuperar, pelo menos tenham ganhado uma boa grana com isso, já que sabemos bem o quanto é difícil sobreviver de um genuíno talento artístico no Brasil. E embora o filme que participaram seja um balde de estrume, seus trabalhos fora dali são muito bons e de uma forma ou de outra merecem lucrar bem com o que fazem. Ou pelo menos mereceriam.

Mas seja como for, não percam seu tempo com essa porcaria. A não ser que você goste de produções feitas para pessoas muito burras e muito limitadas, rirem.

 
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