Dicas periódicas do que NÃO ASSISTIR quando for à locadora!
Recentemente perdi preciosos 40 minutos da minha vida assistindo uma produção realmente insuportável. Os 20 primeiros minutos foram surpreendentemente cansativos e os outros 20 que se seguiram foram o que eu chamo eventualmente de “dar uma chance para o filme”, que é quando ele começa mal mas você se mantém ali, na frente da tela, esperançoso de que alguma reviravolta o faça ficar bom (de vez em nunca isso acontece mesmo).
Bem, nem com mil chances essa
porcaria de filme tosco que não vale a mídia em que vem gravado poderia ter
virado em algo bom.
E pra quem pensa que só falo mal
de filme ruim estrangeiro, como se fosse de caso pensado, o título de hoje do
Cine Bomba (infelizmente) é uma produção nacional.
Estou falando da salada de
esterco velho:
Ficha Técnica
Título Original: Muita Calma
Nessa Hora
País de Origem: Brasil
Gênero: Comédia (pastelão, tipo
“besteirol americano”)
Duração:1h 32 min
Ano de lançamento: 2010
Direção: Felipe Joffily
Resumo (com
muitos spoilers, pra ninguém ver):
Peguei esta
comédia na locadora já com um pé atrás, devido ao nome remeter à um tipo de
senso de humor pelo qual não nutro sequer uma gota de respeito, que é aquele
que podemos observar em programas de TV como “Zorra Total”, “Turma do Didi”, “A
Praça é Nossa” (esse último apenas nos últimos anos, porque até o início dos
anos 90 ainda era possível rir com seus quadros) e alguns espetáculos de stand
up que não ouso sequer fazer referência para não dar mídia pra gente
oportunista. Pode parecer excessivamente preconceituoso da minha parte, e de
fato o é, mas esse tipo de linguajar - ”muita calma nessa hora” - com intenção
de ser engraçado, remete minha mente à um tipo de pessoa que considero bastante
monótona, pra não dizer coisa pior.
Enfim, o que
me motivou a conferir essa produção foi a presença de humoristas
talentosíssimos, como o multi-tarefa Marcelo Adnet, o convincente Lúcio Mauro
Filho (o “Tuco”, de “A Grande Familia”), o ácido Marcelo Tas (o “Professor
Tibúrcio” do CQC), o fantástico quinteto formado por Marco Antônio Alves,
Fausto Fanti, Adriano Pereira, Bruno Sutter e Felipe Torres (popular e
carinhosamente conhecidos como “os caras do Hermes e Renato”) e até um dos
mestres sagrados da cultura trash oitentista no Brasil, ninguém menos do que
Serginho Malandro, na composição no elenco.
Agora me
diga, caro leitor, que com um time desses, esse filme tinha alguma chance de
não ser engraçado?
Pois é, eu
pensei a mesma coisa. Mas infelizmente o potencial que poderia ser explorado
foi absolutamente negligenciado. Até, vale dizer pra você que ficou animado com
o elenco também e pode não acreditar que algo com essa trupe pode ser ruim, a
maioria desses artistas que eu esperava ver atuando ao seu estilo, faz meras
pontinhas sem nenhuma importância, e contidos como nunca antes na história
desse país.
Essa porcaria
de filme nada mais é do que outra obra nacional composta totalmente de clichês,
e eu disse TOTALMENTE mesmo, já que a criatividade é inferior a zero em cada
segundo do filme.
É clara a
intenção dos realizadores de fazerem uma possível fusão de filmes como
“American Pie” e “Bridget Jones's Diary”, onde podemos ver a forma mais plena
do senso de humor norte-americano.
Não tenho
absolutamente nada contra o senso de humor norte-americano, muito pelo
contrário, já me diverti muito com dezenas de produções desse gênero. Minha
crítica não se dirige à eles, mas sim à tentativa mais do que frustrada de
cineastas tupiniquins de tentarem imita-los gastando uma quantidade
interessante de dinheiro.
Logo nos
primeiros minutos, vê-se algumas imagens muito mal escolhidas da belíssima
cidade de Búzios, onde já pude identificar o desastre que viria pela frente.
Então vemos a artificial Ellen Roche protagonizando uma desnecessária (já que
não combina em nada com o resto do filme) ceninha bem tosca que remete às
pornochanchadas do passado do nosso cinema. Uma clara referência à qual a real
utilidade dessas moças siliconadas de cabeça vazia para o cinema.
A trama é
batida demais até para uma babaca tentativa de comédia americana: três garotas
com problemas em lidar com a própria volúpia saem de férias juntas, dispostas
serem o mais promíscuas que conseguirem.
As
personagens principais são Tita (Andréia Horta), uma moça jovem que estava
prestes a se casar e testemunhou uma traição do noivo (na ceninha sem-vergonha
com a Ellen Roche) e resolveu se vingar do mundo transando com o maior número
de homens que conseguir (a casa de praia pra onde ela e as amigas vão em
“férias”, tinha sida alugada originalmente em função do seu casamento), Mari
(Gianne Albertoni), uma loira gostosona que dá impressão de ter um cargo
importante em uma empresa grande, trata as pessoas com arrogância, sobretudo
homens, no melhor estilo “eu sou fodona”, e desde os primeiros minutos já
mostra que será o núcleo principal das piadinhas sem manjadas e sem graça
(exemplo: sentada com as amigas na mesa do bar: “garçom, traga mais três
tequilas e três cervejas, não vai perguntar o que elas querem?” assim mesmo,
com vírgula, porque disse tudo na mesma sentença). No começo do filme ela se
sai bem de uma situação de assédio sexual com um chefe tarado, uma cena feita
especialmente pra uma tentativa de que se crie um ar de independência e força
ao redor da personagem. Tentativa essa que falha miseravelmente no desenrolar
dos próximo longos 20 minutos seguintes, Aninha (Milli, ops, quer dizer,
Fernanda Souza), uma moça engraçadinha, mas totalmente sem sal, que passa o
tempo todo querendo dar pra alguém mas não consegue por ser muito monga. Aliás,
muito monga mesmo, bem daquele tipinho de menina burrinha que só faz bobagem e
a Estrella (Débora Lamm), que é uma moça errante que encontram no caminho para
o litoral, que tem ar daquelas hipongas sujinhas vendedoras de artesanato
barato e parece estar o tempo todo drogada. Ou pelo menos tentando parecer que
está, já que a interpretação dela é nível “Malhação” pra pior.
Depois do
protocolo manjado de apresentação de cada uma, o filme começa e fica do mesmo
jeito pra sempre: formado por quadros sortidos e absolutamente sem graça com
diversos comediantes conhecidos, ao estilo “Zorra Total” mesmo. Os quadros são
intercalados por cenas ridículas e forçadas das quatro desocupadas sentadas em
uma mureta falando fezes enquanto fumam maconha, agindo como uma pessoa que
nunca nem ao menos viu uma pessoa sob efeito de maconha, e muito menos sabe
imitar o estado.
E isso é o
filme todo.
Os
personagens são ocos e descartáveis. Nenhum deles, nem mesmo as personagens
principais, são explorados ou aprofundados de forma alguma. E os quadros
claramente não foram feitos pelos próprios artistas, ou pelo menos não tiveram
total liberdade para criarem. Dada a total imbecilidade, burrice e
superficialidade das piadas.
Durante os 40
minutos que consegui estar na frente da TV assistido a essa tranqueira, a
sensações oscilaram entre irritação, tédio e muita vergonha alheia.
Com certeza,
até o dia de hoje, esse é o pior filme que assisti esse ano. Sem a menor sombra
de dúvida.
Espero que as
pessoas talentosas de verdade que participaram desse lixo que me fez perder 40
minutos de um precioso tempo que nunca vou recuperar, pelo menos tenham ganhado
uma boa grana com isso, já que sabemos bem o quanto é difícil sobreviver de um
genuíno talento artístico no Brasil. E embora o filme que participaram seja um
balde de estrume, seus trabalhos fora dali são muito bons e de uma forma ou de
outra merecem lucrar bem com o que fazem. Ou pelo menos mereceriam.
Mas seja como
for, não percam seu tempo com essa porcaria. A não ser que você goste de
produções feitas para pessoas muito burras e muito limitadas, rirem.





Gostei muito da publicação, e sim, concordo plenamente com você, e ainda acho que esse tipo de gênero ao qual denominam "humor" deveria ser extinto de nossa rede televisiva, pois isso está formando pessoas cada vez mais vazias de cultura e pensamentos úteis. Existe muito talento no meio artístico, e isso deveria ser usado de forma eficiente, e não degradante, como muitos programas por aí fazem, os quais querem chamar atenção com piadas sujas e ridicularização de seus apresentadores, um exemplo típico é o Pânico na Tv! (Pânico na Band), não sei como está agora, pois já faz mais de 4 anos que não perco meu tempo com isso, porém pelo que é divulgado nas redes, continua a mesma porcaria. Nossos artistas são capazes de fazer algo bem mais produtivo e instrutivo( como já disse anteriormente) pena que não fazem isso....