Dicas periódicas do que NÃO
ASSISTIR quando for à locadora!
Como todo bom
cinéfilo, eu tenho um senso crítico muito apurado. E eventualmente a intuição
para escolher o que assistir falha e me faz perder preciosos minutos assistindo
verdadeiras bombas de estrume em forma de filmes.
Para que isso
não aconteça com você, postarei aqui dicas do que não assistir quando for
escolher a sua próxima produção.
Obviamente,
como se trata de um texto que procura fazer com que as pessoas não percam tempo
assistindo obras ruins, o texto é composto basicamente de spoilers. Então,
esteja avisado, caro leitor.
E no tópico de
hoje, já estreamos com uma produção alemã que é um verdadeiro
pudim de chorume:
Informações Técnicas
Título no Brasil: Edukators - Os Edukadores
Título Original: Die Fetten Jahre sind vorbei / The Edukators
País de Origem: Alemanha
Gênero: Ação / Drama
Tempo de Duração: 127 minutos
Ano de Lançamento: 2004
Estúdio/Distrib.: Video Filmes
Direção: Hans Weingartner
Jule, Peter e
Jan são jovens rebeldes na faixa dos vinte anos com pouca ou nenhuma estrutura
familiar, usuários de drogas, adeptos de um estilo de vida desregrado e com o
auto-destrutivo hábito de buscar externamente os motivos de sua insatisfação
pessoal. Culpando desde as pessoas mais abastadas financeiramente até o sistema
de governo do seu país.
Jan é um
jovem visivelmente agressivo e obcecado que divide um apartamento com seu
aparentemente único amigo Peter, um garoto que gosta de ver a vida de maneira
um pouco mais leve, seja fazendo sexo com sua namorada Jule ou roubando um
relógio de luxo de algum cidadão descuidado ele sempre prefere sorrir, o que é
a atitude oposta a do seu colega.
Movidos por
uma revolta baseada na inveja e na ansiedade de canalizar sua frustração, Peter
e Jan passam a se auto-intitularem “The Edukators” (algo como “Os Edukadores”)
e se divertem invadindo e vandalizando de forma leve (apenas re-arranjando a
posição dos móveis e objetos de decoração) as residências de pessoas com um
padrão financeiro superior ao deles, usando como pretexto uma pseudo ação
revolucionária.
Jule é a
namorada de Peter que diz não gostar muito do seu amigo Jan.
Tempos atrás
ela provocou um acidente de carro que danificou o automóvel de um rico
empresário chamado Hardenberg (Burghart Klaubner) e como conseqüência acabou
por adquirir um dívida enorme que lhe consome quase todo o dinheiro que ganha
no seu emprego como garçonete em um restaurante caro, onde arranha os carros
dos clientes que a tratam com arrogância.
Devido aos
problemas financeiros Jule precisa sair de seu apartamento alugado e por isso
precisa pintá-lo antes de entrega-lo. Seu namorado Peter, que a ajudaria na
tarefa, precisa viajar para Barcelona e pede que seu amigo Jan ajude a moça em
seu lugar.
Rapidamente
Jan e Jule se tornam íntimos, e após mancharem as paredes com frases de protesto
deixam o apartamento sem pinta-lo. Mais tarde vão jantar juntos na casa de Jan
onde comem, usam drogas e conversam sobre como o mundo é injusto com eles. Jan
fala com sua nova amiga sobre “Os Edukadores” e empolgada com a notícia, Jule
insiste que ela e Jan invadam a casa de Hardenberg, o empresário que a
processou por danificar seu carro. Após uma certa resistência, Jan concorda.
Eles então
invadem casa do empresário usando máscaras e fazem a tradicional bagunça de
móveis. Só que Jule se deixa levar pela emoção e decide ir além, convencendo a
Jan a jogar o sofá da sala na piscina, e os dois fazem isso e acabam caindo na
água juntos. Jan então se aproxima da namorada do seu melhor amigo e a beija.
Na cena seguinte, Jule está usando roupão e quebrando algumas garrafas na
cozinha da casa invadida. Quando então se ouve um alarme disparar e os latidos
de cachorros.
Os dois fogem
e parecem se divertir muito com o que aconteceu, e acabam dormindo juntos.
Quando Peter
volta de sua viagem, nem percebe o clima que há entre seu amigo e a sua
namorada, baseado na confiança que tem nos dois.
É quando Jule
revela a Jan que esqueceu o seu telefone celular na casa que vandalizaram, e
sem que Peter saiba, os dois combinam de voltar lá e recuperarem o aparelho. E
o fazem. Mas quando estão novamente na propriedade de Hardenberg, ele chega da
uma longa viagem em que dirigiu por 700Km justamente no momento em que eles
estão lá.
Quando se
depara com Jule em sua sala, ele tenta segura-la e acaba sendo golpeado pelas
costas por Jan e desamaia. Sem saberem o que fazer, eles pedem ajuda a Peter,
que embora surpreso, ajuda os dois a amarrarem, amordaçarem e seqüestrarem o
empresário, levando-o para uma cabana isolada nas montanhas onde passam alguns
dias gastando o dinheiro de Hardenberg para comprar mantimentos, usando drogas
e tendo conversas com teor pseudo-político.
Enquanto Jan
e Jule alimentam um romance secreto aos olhos de Peter fazendo sexo escondidos
sempre que podem, Hardenberg como empresário e ex-militante de esquerda
conhecedor dos mecanismos mentais que guiam seus carcereiros, usa sua
experiência e inteligência para ganhar confiança e manipular os jovens, que
portam uma arma (uma arma que Peter diz ser falsa, mas que Hardenberg acha que
é real) e deixam dúvidas sobre o que irão fazer com ele.
Com o passar
dos dias, Hardenberg se torna cada vez mais próximo dos jovens e consegue
causar um atrito entre Jan e Peter, revelando de forma sutil a Peter o caso que
sua namorada está tendo com seu melhor amigo.
Depois de ser
agredido, seqüestrado e de passar vários dias em um lugar isolado sob a mira de
uma arma, os jovens finalmente libertam o empresário, que ao entrar em casa
apenas se senta no sofá e fica pensativo. Enquanto uma cena mostra Peter, Jule
e Jan deitados numa mesma cama.
Quando
Hardenberg aciona a polícia contra os criminosos, estes já haviam se precavido
e já estão foragidos. Aparecem então roubando um barco no cais e indo em
direção a uma ilha onde se encontram as antenas de transmissão das emissoras de
TV, cuja sabotagem e destruição é o seu novo alvo.
Tecnicamente,
considero o filme muito ruim. Em primeiro lugar pelo roteiro muito cheio de
clichês e pobre de criatividade. Em segundo lugar por ter uma trilha sonora
péssima (não pela qualidade da músicas em si, mas pela maneira como foram
usadas na construção das cenas) e em terceiro e último lugar, por fazer
explicitamente apologia ao terrorismo, ao uso de drogas e há criminalidade.
No que diz
respeito a uma avaliação geral da obra, o que mais chamou minha atenção
enquanto assistia ao filme The Edukators, foi a simplicidade com que foram
retratados os crimes cometidos pelos três jovens. O diretor Hans Weingartner
claramente tenta passar uma mensagem aos jovens que dizem que eles tem razão em
culpar o mundo por suas mágoas e suas frustrações, e que tem o direito de
descontar toda essa revolta em outras pessoas que conseguem levar a vida de uma
forma mais plena e equilibrada do que eles. Considero essa uma mensagem muito
perigosa de se transmitir hoje em dia, enquanto vivemos em um mundo que cada
vez mais se distancia da moral de dos bons costumes. Onde os valores estão
invertidos e se confunde libertinagem com liberdade.
Durante todo
o desenrolar da história, várias seqüências tentam mostrar uma certa
superioridade intelectual dos jovens criminosos sobre o pobre homem
seqüestrado, o que com um olhar mais atento, se revela um gigantesco equívoco.
Já que o empresário conseguiu sair vivo e bem de situação em que provavelmente
acabaria morto.
O final da
história não demonstra nada além de impunidade e alienação. A única parte do
filme que, na minha opinião, se aproxima da realidade e tem algum valor. A obra
como um todo pode ser vista como um retrato do que a falta de estrutura
familiar, a falta de ensino qualificado e total alienação política e histórica
podem fazer com mentes jovens e cheias de energia potencial mal trabalhada. E o
quanto o nosso sistema político é falho em permitir que ainda existam tais
perigos rondando nossas casas, sobretudo as casas das pessoas que cometeram o
incrível erro de prosperarem em um mundo que aprendeu a embelezar o sofrimento.
É movido por esse espírito de pseudo-liberdade que vemos vídeos de decapitações
de soldados e jornalistas no oriente médio, que vemos estrangeiros sendo
espancados e mutilados em países europeus, que vemos nossos jovens cada vez
mais promíscuos, envolvidos em crimes e usando drogas, foi com essa insanidade
que erroneamente os menos informados chamam de liberdade que Ernesto Guevara
executou pessoalmente mais de 400 pessoas e seu amigo Fidel se mantêm no poder
depois de ser responsável diretamente por mais de 115.000 mortes e outros
tantos desaparecidos desde 1959.
A idéia de
“liberdade” que Peter e Jan dizem defender no filme The Edukators não passa de
uma visão distorcida da realidade confeccionada por uma mente perturbada e
desprovida de bom senso.





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